Aquelas suas pequeninas mãos…

Filhos, mãos, crescimento, mãe sofre, amor de mãe
Foto de https://angel-luzinha.com/

Pediu que me deitasse ao seu lado, na cama. Deu-me a mão e não a largou mais. Até adormecer, ia mudando de lado e de posição, alternando a mão, mas sempre a segurá-la. Aos poucos, fui sentido a sua mão pequenina a ficar leve, até que era apenas eu a manter as nossas mãos unidas.

Deixei-me ficar ali, mais um bocadinho, a aproveitar aquele momento. Há de vir o dia, em que não vai ser a minha mão que ele irá querer segurar. A minha mão, deixará de ser porto seguro, no escuro da noite, passando a ser outras as mãos do alento.

O meu pequenino filho, já teve mãos mais pequeninas do que agora, o que me lembra como o tempo passa tão rápido. No entanto, assim como o seu corpo vai crescendo, também o meu amor por ele cresce. Está tão capaz! Está tão perfeito!

Aquela mão pequenina, vai sendo cada vez mais independente de mim, numa autonomia que me envaidece, mas que me assusta ao mesmo tempo. Quando aquela mão já não precisar que a agarre, ficarei apenas a observar, cheia de orgulho, o que as suas mãos adultas conseguem fazer sozinhas. Nessa altura, terei as minhas 2 mãos livres para aplaudi-lo e para limpar as lágrimas de emoção, no meu rosto.

AS

A imbecilidade alheia… e o Snoopy!

WhatsApp Image 2019-06-11 at 14.41.44

Vi a circular pelas redes sociais esta imagem do Snoopy e não consegui resistir a roubá-la. Este cãozinho tem umas saídas tão boas e inteligentes que às vezes gostava de o adoptar. Ouvi, esta semana, nas notícias, que o New York Times ia terminar com os cartoons políticos, por causa da última polémica com o Trump. Comentava o cartoonista lesado, que o cartoon é uma forma de liberdade de expressão. Eu concordo.

Livre de piadas, ironias ou recados, este texto serve apenas para partilhar convosco como a estratégia deste cartoon é muito eficaz e me traz muita paz. Já lá vai o tempo em que alimentava discussões. Com o acumular dos anos, fui aprendendo, à conta de muita porrada no lombo, que discutir só nos tira tranquilidade e não nos leva a quaisquer soluções.

É sabido que comportamento gera comportamento. Se discutirmos, não obteremos mais do que uma discussão. Nada disto tem a ver com argumentarmos sobre o nosso ponto de vista. Porém, uma coisa é apresentarmos a nossa opinião, outra, bem distinta, é alimentarmos discussões, principalmente, com quem não está receptivo a outras perspectivas.

Engana-se quem pensa que vence as discussões, porque o outro se cala. Mais valia pôr a mão na consciência e perceber que é, totalmente, imbecil julgar-se vencedor numa argumentação. Inteligente é quem consegue antever o vazio e a inutilidade a que certas discussões levam. Continue reading “A imbecilidade alheia… e o Snoopy!”

Viva o Santo António!

img_20190613_0158491338133425744209634.jpg

A vantagem de não ter os filhos num 12 de Junho é a possibilidade de aproveitar uma das festas que mais gosto: os Santos Populares. É muito positivo quando as novas tradições se mantêm, principalmente, quando nos divertem muito.

Jantámos pela Calçada do Combro e palmilhámos até Alfama, dando um salto até ao Castelo, terminando na Sé, com uma reza ao Santo António. É incrível a quantidade de pessoas na rua, o ambiente de alegria e boa disposição de toda a gente. Em todas as esquinas há um bailarico, o que nos permite dar um pezinho de dança e avançar para o próximo. O calor humano é intenso e os cheiros variam entre perfumes variados, sardinhas e cenas para fumar. Quando se tem o espírito certo, a diversão é garantida.

Hoje, como não usufruo deste feriado, tenho de aguentar os efeitos de já não ter 20 anos, mas as gargalhadas de ontem compensam tudo. Desde garota que estou sempre pronta para a festança. Chega mesmo a ser terapêutico. Para o ano há mais, se o Santo António aceder ao pedido que lhe fiz de nos reencontrarmos em 2020.

AS

A preocupação das refeições…

img_20190612_1313481275974089520169145.jpg

Sempre que vamos de férias, a alimentação do Pedro causa-me preocupação. Uns dias antes, tenho de planear muito bem essa questão. Eu e a Catarina comemos qualquer coisa, mas com as restrições dele não posso facilitar. Tudo é possível de realizar, mas tem de ser bem pensado e organizado.

Notei muita diferença, entre este ano e o ano passado, na preparação do campismo, por nos ter sido dada maior liberdade de alimentos, nas últimas indicações dos médicos. Mesmo assim, há coisas a evitar e cuidados a ter. Depois de muita leitura de rótulos, algumas excepções à regra e reajustes, tudo funcionou na perfeição. É certo que nem tudo o que esteve na mesa era permitido ao Pedro, mas nada lhe faltou.

Houve alguns alimentos, que não são para dar em dias normais, mas são permitidos nestas ocasiões especiais, nomeadamente, os “pode conter vestígios de leite” ou outros com “E’s”, menos próprios. Especificamente, para ele, tive de levar bolachas, leites e manteiga. Nos alimentos partilhados, tive especial atenção ao frango assado sem molho; aos rótulos do atum, dos hambúrgueres congelados, das salsichas, das batatas fritas de pacote e dos marshmallows. Fiz um bolo de iogurte sem galactose, que deu para todos. De resto, dos alimentos sem problemas e restrições, houve ovos mexidos, arroz, esparguete, fruta e pão de padaria. Continue reading “A preocupação das refeições…”

A Família Raríssima foi acampar…

img_20190611_1220333687018679114645809.jpg

O sol começou a brilhar e nós retomámos os acampamentos. As temperaturas não se avizinhavam famosas, mas nada que camisolas e casacos não resolvessem. Pusemo-nos a caminho, de carro atolado, sem caber nem mais um elástico de cabelo. A ideia era ficarmos 3 dias e 3 noites, mas as guardas partilhadas são pouco práticas nestas questões e as leis sobrepõem-se às vontades. Nada nos demoveu de aproveitarmos, ao máximo, uma experiência tão enriquecedora e cúmplice.

Somos práticos na roupa e material que levamos, bem como, nas actividades que fazemos, mas há sempre uma coisa que me deixa algo ansiosa antes de ir: a alimentação do Pedro. Sobre esta questão falarei no próximo post. Por hoje, quero muito partilhar convosco algumas coisas que percebi neste acampamento e que me deixaram muito feliz.

Já vos falei de como gosto da liberdade do campismo. Além disso, admiro a capacidade de relativizar e focar no indispensável, desenvolvendo a aptidão para levar apenas o essencial para aqueles dias, despojados de tudo o que não faz falta. Esta atitude física, actua, quase sem percebermos, dentro da nossa cabeça e damos por nós a sermos pessoas menos complicadas quando regressamos.

Continue reading “A Família Raríssima foi acampar…”

“Estou aqui” – campanhas que fazem a diferença

Os meus miúdos já têm as pulseiras da programa “Estou aqui” da PSP. Estas pulseiras servem para que, em caso de os nossos filhos se perderem, possam ser, mais facilmente, encontrados. Ao código inscrito na pulseira, estão associados os dados e os contactos das crianças e responsáveis.

Nunca estive na situação de perder os meus filhos. O mais parecido com essa experiência foi eles estarem tapados por um pilar ou pelo carro, fora do meu ângulo de visão e não responderem à minha chamada. No entanto, todos esses “2 segundos” que já vivi, pareceram largos minutos. São sentimentos indescritíveis, em que o coração fica estrangulado de tanto sufocar. Perder um filho é uma agonia atroz.

Esta não é uma situação difícil de acontecer. Pelo contrário, é num piscar de olhos que os pequenos se afastam de nós. Olhamos para o lado, porque pisámos qualquer coisa e, quando damos conta, já não os vemos. No momento em que os volto a ver, sinto um misto entre abraçá-los por estarem ali e espancá-los por me terem causado tamanho sufoco. Não sei se, algum pai ou alguma mãe, consegue criticar ou julgar outro progenitor quando situações como esta acontecem. Quero acreditar que não, por ser tão possível acontecer a qualquer um e ninguém estar imune, nem mesmo os mais cuidadosos.

Continue reading ““Estou aqui” – campanhas que fazem a diferença”

Diz que é finalista! Oi???

Escola, Filhos, Orgulho de mãe, Finalista, Amor de mãe, Crescer

Os nossos filhos crescem e vão passando etapas. Percebemos que estamos mais velhos, mas, também, que estamos a fazer um bom trabalho (ou pelo menos esperamos que sim). Acompanhamo-los, proporcionamos-lhes o melhor que sabemos e podemos, preparamos tudo para que o melhor lhes aconteça. Depois, há dias marcantes, em que nos cai a ficha e percebemos que, aquilo que julgávamos longe, por eles ainda serem bebés, chegou rápido demais, quase sem darmos conta de como chegámos até aqui.

Ontem, foi dia de assinalar que a Catarina é finalista do pré-escolar. Na verdade, passará em Setembro para a escola pública e por ser condicional, o mais provável será continuar no pré-escolar. No entanto, para a actual escola é, assumidamente, finalista.

Eu acredito que haja pais que, por serem dotados de racionabilidade, não sejam afectados por momentos lamechas destes. Sem qualquer tipo de ironia, juro que gostava mesmo de ser assim, mas não sou. Sou daquelas mães, que tenta disfarçar, mas quando vê os filhos a fazerem qualquer coisa, num palco ou num destes momentos escolares de protagonismo, fica de lágrima no olho e faz toda uma retrospectiva do filme completo da nossa vida, desde o dia em que soube estar grávida. É todo um melodrama e não há pachorra para mim própria!

A mãe filma, tira fotos, fica com os olhos cheios de ciscos e o coração a transbordar de orgulho, de uma coisa que não tem importância nenhuma e a qual não deu esforço nenhum à miúda. Pronto, ok. Eu sei, mas a gaiata nasceu de mim e até a tirar macacos do nariz me causa embevecimento. Não consigo evitar. Continue reading “Diz que é finalista! Oi???”

Quando chega a hora…

Guarda partilhada, Divórcio, Filhos, Mãe e filhos

Quando o dia de os ir buscar chega, depois de tantos dias longe, com o início da tarde, o meu sentido deixa de estar focado nas tarefas que desempenho. Olho o relógio de 5 em 5 minutos, mas ele teima em andar devagar. O coração começa a bater mais acelerado e 2 ou 3 borboletas começam a voar na minha barriga.

A semana feita de rotinas quase ausentes está a terminar, para iniciar a semana das rotinas regradas. Sei que a partir daquele momento vai ser sempre a abrir. Vão ser sempre eles primeiro do que eu. Não vai haver silêncio, nem tempo para fazer quando quero. Não vai haver permissão para fazer como me apetece.

A pausa vai terminar, para começar a semana em que mais amo, mais sou amada e em que tudo está onde deveria estar. Sei que será exigente, porque tenho de dar tudo de mim, mas é no dar tudo que tudo faz sentido e que mais recebo.

Assim que os apanho e o reboliço começa, o que foi marcante, na semana anterior e o que me entusiasma, para a semana seguinte, passa, automaticamente, para 2º plano, não como uma pausa do bem-bom, mas como algo que não tem tanta importância. É que não há mesmo nada que consiga igualar a presença daqueles 2.

Continue reading “Quando chega a hora…”

Brincar é simplesmente brincar!

img_20190528_1654317543223622264219282.jpg

O meu filho Pedro é um entusiasta da vida. Sempre bem disposto (tirando os acessos quando faz birras), tudo para ele serve para brincar. Na verdade, o Pedro vive a vida a brincar. Volta e meia, vou dar com ele a cantar ou a falar sozinho, enquanto brinca. Ainda no outro dia, na praia, passou metade do tempo a dançar e a cantar, desligado da mana ou de nós adultos. Cantava tão alto e ocupava tanto espaço com a sua coreografia, que parecia estar num espectáculo da Broadway.

O meu filho Pedro gosta tanto de brincar, que tudo serve para esse fim. Tudo o que apanha, tudo o que vê. Brinca no banho, brinca a vestir-se, brinca a fazer xixi, brinca a entrar para o carro, brinca a comer, brinca quando ralho com ele, brinca quando se está a deitar. Brinca sozinho ou acompanhado e não é nada dependente do adulto para conseguir divertir-se nessa acção.

O meu filho Pedro é mais novo que a sua única irmã, que, como mais velha, torna-se, naturalmente, dominante. É um macaco de imitação de tudo o que a mana faz ou diz. O meu filho Pedro adora brincar com tudo o que apanha à frente. Adora todas as brincadeiras próprias de rapaz (seja lá o que isso for) e é extremamente físico, enquanto brinca. Perde horas a brincar com bonecas, com a maquilhagem da mana ou a fingir que é uma princesa. Gosta de pôr colares, pulseiras e ganchos na cabeça. Para perceberem como encarna os personagens, quando o chamo para qualquer coisa, responde-me zangado: “eu não sou o Pedro, sou a Elsa (ou a princesa ou o pirata ou outra coisa qualquer)”. Uma vez, enquanto brincava sozinho, quando perguntei se queria bolo, sem usar o seu nome, respondeu-me: “Não quero. A Elsa não come bolo”. Continue reading “Brincar é simplesmente brincar!”

Diz que foi dia dos irmãos…

img_20190531_1724075649692029979054317.jpg

  • Ela toma conta dele e cuida-o cheia de protecção maternal. Ele segue-a cegamente e imita-a em tudo, como se fosse única no mundo.
  • Ela é a única que percebe tudo o que ele diz. Ele obedece a tudo o que ela lhe pede.
  • Ela abdica de tudo, para ele não chorar. Ele derrete-se com a atenção dela.
  • Ela inventou o diminutivo Pê, para ele. Ele trata-a sempre por mana, como se ela não tivesse nome.

Assinala-se o dia dos irmãos, nas redes sociais, umas 5 vezes por ano. De tal maneira que, fico sem saber qual é o dia verdadeiro. Já vos disse algumas vezes que admiro o amor e a cumplicidade que os meus filhos possuem, um pelo outro e um com o outro. Apenas volto a falar nisso, porque tanto o amor, como a cumplicidade aumentam a olhos vistos e chego a pensar que, para eles, não há pai e mãe que valham mais do a existência um do outro.

Amam-se, cuidam-se, protegem-se e crescem juntos. Esta mãe não pode desejar mais nada. Aceito, como uma bênção de Deus, a possibilidade de ver e viver estas coisas.

AS

Nota: Um grande abraço ao meu irmão, por me ter permitido saber o que é isto.