Uma forma de inclusão

A escola de um dos meninos que conhecemos com Galactosémia publicou, no seu facebook, um vídeo, bastante explicativo, sobre esta doença.

É curto e claro. Gostava muito que aceitassem este convite para o verem. É cada vez mais importante para nós, que quem nos rodeia conheça a nossa realidade.

Gostei, especialmente, da iniciativa da escola. Uma instituição preocupada com a condição dos seus alunos é meio caminho andado para uma boa inclusão.

AS

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Famílias da Galactosémia: o 1º encontro!

img_20181014_183828-01172633734752591966.jpegNo passado Domingo, tivemos o primeiro encontro das famílias da Galactosémia. Fomos quatro. A 5ª família mora bastante longe e não foi possível estar presente. Pena não termos estado todos, mas não faltarão oportunidades.

Fizemos um lanche cheio de coisas boas que os nossos filhos podem comer. Ao contrário de mim, estas mães são muito prendadas e criativas nas receitas para os filhos. Tenho tanto a aprender com elas.

Olhei à minha volta, naquela sala e pensei: “bolas, nós somos muito fortes. Vejam o que já conseguimos”. Todos sofremos um enorme choque, tivemos medos e ainda temos alguns, mas tivemos a capacidade de nos adaptarmos à realidade da galactosémia, esgravatando, contornando, adquirindo competências impensáveis. Cada família ganhou a sua zona de conforto, sem nunca estando confortável, de maneira a conseguir saber cada vez mais, para proporcionar a estas crianças uma maior qualidade de vida. Acredito que esta é uma habilidade do ser humano e que todos podemos desenvolver, em variados contextos.

Os miúdos divertiram-se imenso. Brincaram como se se conhecessem desde sempre, mas as crianças são sempre assim. A Catarina e o Pedro, fizeram muitas perguntas depois de todos se irem embora e eu respondi a todas. Pediram para voltar a ver aqueles amigos. Prometi que aconteceria, porque acredito mesmo que vai acontecer.

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Há muito trabalho pela frente. Pelos nossos filhos, somos os mais interessados em avançar. Em paralelo com outros passos, é importante chegarmos a cada vez mais famílias que vivam com esta realidade. Eu sei que vamos conseguir e os nossos filhos vão ter muito orgulho em nós!

AS

 

 

 

Um 12 de Outubro diferente!

Tive um fim de semana daqueles, sem um minutinho para parar e escrever. Contudo, apesar de já terem passado dias, quero partilhar convosco a minha ida a Fátima, no passado dia 12. Trabalhar numa instituição católica tem destas iniciativas.

ptrFui com pouca vontade. É diferente irmos com a família ou amigos. Além do mais estava meio adoentada. A única coisa que me movia era o desejo de estar na presença de Maria, dar-lhe o que tinha a oferecer e receber o que ela me teria para dar.

Foi incrível como toda a celebração, que durou 3h30, passou num ápice. Quando cheguei senti a “mochila” pesada. Tive dificuldade em começar o diálogo com Maria. As palavras não saíam e os pensamentos não fluíam. Tornou-se urgente para mim tentar perceber que peso era aquele que eu transportava. Achei estranho, pois não me tinha dado conta de andar a carregar tanto volume. Permiti-me despejar o entulho.

Conforme fui vazando o saco, fui percebendo que o peso que carregava era o das muitas pessoas por quem queria pedir, dos muitos que queria entregar a Nossa Senhora para que cuidasse. Tantos, mas tantos.

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Sabem, tenho dado conta que todos temos fragilidades, necessidades, agonias, pequenas ou grandes. Todos precisamos de ajuda, mesmo que seja nas coisas insignificantes do dia-a-dia. Todos temos o coração carregado de preocupações, dores ou medos, mesmo que, comparando com os que estão ao nosso lado, os nossos problemas não sejam tão significativos.

Fui lembrando um a um. Os que andam doentes; os que andam tristes; os que não têm trabalho ou querem um trabalho novo; os que têm os filhos longe; os que têm um grande desejo de santidade; os que vivem dramas familiares; os que não sabem o que querem; os que não querem Jesus na sua vida; os que não têm dinheiro ou vivem com pouco; os que vivem maus casamentos e os que vivem sem casamento; os que têm filhos doentes; os que têm familiares doentes; os que estão cheios de orgulho e não se deixam quebrar; e por fim, os que sentem dores que eu desconheço.

Lembrei a Maria os que me ajudaram neste processo de “voltar à vida”, os que estão hoje comigo; os que comigo trabalham, mesmo que não os aprecie; os que estão longe, mas que não esqueço. Lembrei os meus filhos, os meus pais, o meu irmão e a sua mulher, que se tornou minha irmã. Lembrei tantos que não os consigo escrever todos. Recordei-a de mim também, que preciso tanto como os outros.

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São tantas as dores de cada homem e de cada mulher! Enquanto rezava, observava os que estavam à minha volta. Tantas “mochilas” pesadas. Lembrei-me do peso que Jesus carregou às costas. Não foi mais que o volume de um mundo nos ombros. Que valente Cristo! Só Deus é capaz de carregar tanto.

Mesmo quem não é de fé, vai àquele lugar santo e sente que pode libertar o peso. Às vezes, nem se consegue perceber porquê. É uma experiência libertadora: chegar, parar, começar a vazar o saco, lentamente, sem pressa, entregando o que somos e o que temos, sem mais nem menos, para o que for que Deus queira fazer com aquilo. Só depois da mala vazia, podemos encher com o que Maria nos dá: ânimo, coragem, alegria, esperança e fé. Deixando lá o peso, voltamos muito mais leves.

Vinde a mim, vós todos os que estais cansados e oprimidos, e eu vos aliviarei. Tomai sobre vós o meu jugo, e aprendei de mim, que sou manso e humilde de coração; e encontrareis descanso para as vossas almas. Porque o meu jugo é suave e a minha carga é leve“ Mateus 11, 28-30

AS

Orgulho: Associação Vale de Acór

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Fiquei mesmo feliz quando me deparei com esta notícia. Parece que a Associação Vale de Acór foi condecorada pelo Presidente da República, pelo seu serviço de solidariedade social. Prémio muito merecido e digno.

Podemos gostar mais ou menos das pessoas. Podemos apreciar mais ou menos a sua forma de trabalhar. Podemos até achar que se poderia fazer um melhor trabalho. Contudo, há que dar mérito aos que trabalham em prol da dignidade humana. Gente que, com todas as suas qualidades e defeitos, fazem a diferença na vida de alguém.

Nada me liga a esta associação, senão a admiração pelo trabalho desenvolvido e conhecer algumas das pessoas que lá trabalham, mas apenas uma delas me é próxima. Não conheço por dentro, mas já vi, por fora, inúmeras pessoas com a vida recuperada, a quem foi dada uma segunda oportunidade.

No meu coração, admiro profundamente quem se propõe, uns dias melhor, outros pior, ajudar outros a ter uma vida com dignidade. Este é um substantivo tão essencial para a vida humana como o pão para a boca. Todos, mas mesmo todos, temos o direito à dignidade, mesmo quando fazemos más escolhas. Bem-aventuradas as mãos que devolvem a dignidade à vida das pessoas.

Da minha parte, muitos parabéns a esta associação e que Deus vos continue a cumular em inúmeras Graças na Sua Divina Providência. Só tenho a aprender convosco.

AS

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Associação Vale de Acór, Membro Honorário da Ordem do Mérito, recebeu as insígnias o Presidente da Direção, Reverendo Padre Pedro Quintella

Os Chicos-espertos desta vida!

Há assuntos que não posso deixar de partilhar com alguém. Nada melhor que partilhá-lo com o meu meio milhão de seguidores (ahahah, mentira. São 3, sendo que o terceiro fez “seguir” por engano).

A manhã estava a correr bem. A sério que estava. Timing perfeito, miúdos bem dispostos na escola, quando, numa rotunda, há uma senhora que não respeita a regra da prioridade, finta-me e obriga-me a parar, a fim de sua alteza real passar. Praguejo para mim, chamo-lhe um nome pouco gentil, que não lhe chegou aos ouvidos e continuo, sem deixar que isso me aborrecesse. Contudo, a semente estava lá.

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A Catarina prevendo que a mãe um dia ia querer fazer isto a uma senhora, pôs assim a boneca. Eu sabia que um dia ia usar esta foto. Hoje foi o dia!

Quis o destino que fossemos pelo mesmo caminho, o meu lindo carro atrás do carro feio dela. Chegamos a outra rotunda, com 3 faixas, tudo entupido de carros, com excepção da via à direita, até à primeira saída. A sôtora, que, tal como eu, circulava pela direita, como se fosse sair na primeira saída, trava o carro e enfia-se na diagonal entre 2 carros na faixa do meio, entravando todas as saídas. Ninguém passa, ninguém sai, porque a querida xuxu decidiu que era mais esperta que os outros todos, que estão na fila há toneladas de minutos.

Eis que a semente desabrochou. A minha mão foi à buzina com uma veemência exacerbada. Gesticulei, sem esticar dedos, porque uma lady é uma lady. Fervi mais que um jarro de água eléctrico. A chica-esperta respondia com gestos, como se não tivesse culpa e nada pudesse fazer. O meu jarro já apitava de tanto borbulhar e o meu olho  tremia com tiques. Vejo-a sair do carro e dirigir-se à carrinha da frente. Quando volta diz-me, como quem tem mãos e pés atados, sacudindo a água do capote: “O senhor da carrinha é que não avança. Fui pedir para andar só um bocadinho”. PUMMMM!

Saltou a tampa e tive de responder: “A carrinha não anda, mas a senhora é que não deveria estar na faixa da direita”. – “Eu sei” – responde a dondoca. Saquei do chicote: “Isso é querer ser mais esperto que os outros”. – “Eu sei” – voltou a dizer e enfiou-se no carro.

Há muitos factores que nos levam a fazer coisas que não achamos correcto. Até eu ralhei com a senhora e nunca o faço, porque acho horroroso. Porém, sabem o que mais me irrita? É a mania que as pessoas têm de se acharem mais espertas que os outros. Irritam-me os chicos-espertos. Não que tenham alguma coisa contra os chicos, muito menos contra os espertos, mas manias de esperteza rara que prejudicam os outros, tiram-me do sério. É o meu calcanhar de Aquiles. Ou melhor, um dos, porque sou uma esquisitinha de primeira.

Acredito que somos livres de quebrar regras, mas, apenas, quando estas nos dizem respeito a nós e unicamente à nossa vida. Quando envolve os outros não podemos. Chama-se falta de respeito. Se não gostamos que nos façam, não podemos fazer aos outros, não acham? É simples, não é? Não somos perfeitos, eu sei. Às vezes percebemos que, eventualmente, até fizemos algo que não esteve bem, mas fazê-lo propositadamente e porque achamos que somos mais abonados em esperteza que os outros é pura burrice e má educação.

Ufa! Desabafei. Obrigada por estarem aí…

AS

P.S. – Se a senhora em causa for um dos 3 seguidores, seguramente, passo a ter só 2.

Vou ali e já volto #3

Este, deveria ter sido um post escrito há uns dias, na ida. Porém, corri tanto, vivi tanto, que decidi falar-vos desta pequena viagem, apenas, no regresso.

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Fui a Barcelona, lugar que estava na minha check list das cidades que tenho de visitar, um dia. Esta foi a sensação com que vim: um gigante visto, nessa lista. É, de facto, um destino que recomendo a todos.

É uma cidade limpa, cheia de estilo e bom gosto. Todos os prédios são lindos e dignos de uma foto. Tive de seleccionar muito bem o que visitava e o que deixava para a próxima visita, porque fui poucos dias. Acredito que escolhi bem. Fiquei com uma noção geral da cidade. Senti-me esmagada pela beleza e imponência da Sagrada Família. Fiquei encantada com a excentricidade e genialidade do Gaudí.

psx_20181006_1043266313833124333836501.jpgEstar num país estrangeiro obriga-nos a sair da nossa zona de conforto e isso é muito bom. A nossa mente adquire novos conhecimentos, regista novas formas de viver e pensar. Percebemos que há muito mais para além do nosso metro quadrado e que a nossa quinta é apenas uma parte microscópica do mundo.

Adoro sair de mim e adaptar-me ao meio envolvente, ficar a observar para absorver o que puder carregar na minha “mochila”. Por vezes, não é possível trazer muito, mas mesmo que seja pouco o que trazemos, é sempre vantajoso. No fundo, enchemos a “mochila” com o que conseguimos e nos faz falta naquele momento.

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Quando regressamos, é bom voltar para o que é nosso e construímos, mas, a partir desse momento, continuamos a construção com uns pozinhos mais especiais do que os que já usávamos.

AS

Nota: Podem não acreditar, mas estas imagens não têm edição nenhuma! Aquilo é mesmo Divino.

Não me levem a mal, não!

As pessoas com quem nos relacionamos são elementos muito importantes para o nosso estado de espírito, para a nossa evolução, para a nossa queda, para sermos mais ou menos felizes. Não tenho qualquer dúvida disto, por já ter experienciado na minha vida e por constatar o mesmo na vida de outros.

Quem nos rodeia tem, directamente, efeito no nosso dia-a-dia. Pessoas que só se queixam da vida, que só vêem as coisas más, que só reclamam, vão, inevitavelmente, provocar em nós tristeza, revolta, angustia, maus pensamentos, dúvida, etc. Mesmo que de uma forma inconsciente, vamos sentir qualquer coisa que sabemos não estar bem. Fica em nós uma moinha que nos incomoda, que nos vai levando, lentamente, para um poço fundo.

Pelo contrário, quando lidamos com gente bem disposta, positiva, sempre com um sorriso no rosto, para quem a vida é maravilhosa, mesmo quando o mundo parece estar a desabar, sentimos ânimo, bem-estar, alegria, confiantes de que a vida pode ser muito mais do que aquilo que aparenta.

Não falo de andar aos pulos a libertar confetis. Falo de esperança, de positivismo, de acreditar que os dias bons são em muito maior número que os maus. Falo de confiar que o que é menos bom me torna mais forte e melhor. Trata-se de registar no nosso coração que amanhã vai ser melhor do que hoje.

Um dos meios de percebermos que não nos devemos queixar tanto é listarmos diariamente, no papel ou na nossa cabeça, as coisas boas de que somos feitos e que acontecem na nossa vida. Ter dormido bem; um abraço inesperado; um bom dia com sorriso rasgado; estarmos vivos; termos saúde; os amigos; a família; a nossa inteligência; ter duas mãos; ter alguém a quem telefonar para dizer palavrões… estaria aqui o resto da tarde a enumerar coisas. Contudo, o que me faz feliz a mim, poderá ser diferente do que faz feliz o outro que está ao meu lado.

O importante é valorizarmos do mais pequeno pormenor da nossa vida à coisa mais gigante e significativa, porque somos um conjunto de sentimentos e acontecimentos e não um problema isolado. Tudo se resolve na vida. Tudo se ultrapassa. Basta querermos acreditar que é possível.

Não estejam a dizer que eu não sei nada de sofrimento. Provavelmente, não sei mesmo. Recuso-me a saber. Não quero. Afasto de mim velhos do Restelo, pessoas de mal com a vida, para quem o mau tem muito mais ênfase do que o bom. Eu sei que a vida não é fácil. Exige de nós muita resiliência e força, mas nós não somos fracos. Nós somos todos muito fortes. Unicamente, se quisermos ser fortes. Isto é, levar em cima com o bom e com o mau de sorriso nos lábios.

Por vezes precisamos mesmo de chorar. Então choramos, sem vergonha e constrangimentos, porque a alma precisa de ser limpa e aliviada. Depois paramos. E voltamos a ter esperança, porque não é com tristezas e lágrimas que os problemas se resolvem.

Comportamento gera comportamento. Se optarmos por sorrir iremos sorrir e os outros irão sorrir para nós. Se escolhermos praguejar com a vida e com os outros, então será isso que receberemos.

Por tudo isto, adoro esta canção dos HMB. Estou sempre a ouvi-la com os meus filhos. Quero que eles percebam que não há nada, nem ninguém que pode estragar o que queremos ser: homens e mulheres felizes e de bem com a vida.

“E quem não é do bem então
Chega chega sai sai sai
Chega chega, hum, so quero boa vibe
Chega chega sai sai sai”

AS

 

Uma canseira de cenas boas…

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Foi um fim-de-semana tão intenso e agitado que precisei da segunda-feira para repor os níveis de descanso. Tivemos almoços de família, sushi com amigos queridos, jantar de compadres e a tão grande esperada sessão fotográfica de família com a Paula, do blog Angel Luzinha, a minha profissional de fotografia preferida.

Adoro esta sessão fotográfica, por isso a fazemos uma vez por ano. São fotografias diferentes, que registam a família de uma forma especial, cheia de qualidade. São registos que ficam para a vida toda. A Paula consegue criar estas memórias de uma forma especial, doce e profissional. Mentalmente, já criei um agendamento vitalício com ela.

Este ano, senti-nos mais descontraídos. Embora, ainda não seja muito fácil pousar para a câmara. Do que fui espreitando, as fotos estavam lindas. Mal posso esperar para ver o resultado final e partilhá-lo convosco. A Paula capta o nosso melhor, com muita simplicidade. Depois destas sessões, fico como as crianças, à espera do brinquedo novo.

Os meus filhos colaboraram muito melhor este ano, o que me trouxe grande alívio. Ao terminar, a Catarina disse-me: “Mamã, eu gostei mesmo muito”. Claro, que o Pedro, que é um papagaio também repetiu a mesma frase. A mãe ficou de coração cheio.

Obrigada à Paula pela dedicação, simpatia e profissionalismo. Sou uma fã incondicional.

AS

Coisas de filho #2

Abraça-me forte. Dou-lhe um beijo demorado. Enquanto nos abraçamos, digo-lhe: “amo-te filho”. Responde-me: “amo-te mãe”. Então a vida faz todo o sentido. Está tudo onde deveria estar.

Ai o amor. Ai este amor. Ai este grande amor, que preenche tudo o que pode haver por preencher.

AS

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