Dividir a mãe em dois (por vezes em três era o ideal)

Hoje tive duas hipóteses: ou realizava as muitas tarefas importantes, e algumas até atrasadas, que tinha para fazer, ou dava colo, mimos e cuidados aos meus dois piolhos, muito atacadinhos com um virus maluco.

Sem muito pensar, claro que me decidi por cuidar deles. Assim, passei o dia com dois bebés ao colo, a dar todo o mimo e atenção que consegui dar. Ficou tudo por fazer, ficou tudo atrasado, mas sou daquelas que ainda acredita que mimo de mãe ajuda quase tanto como medicamentos.

Ora pegava num, ora pegava no outro, ora pegava nos dois ao mesmo tempo. Ora limpava o nariz a um, ora a outro. Os dois pediam a mãe. Na verdade, os dois precisavam da mãe na mesma medida. Pudesse eu dividir-me em duas e hoje teria dado imenso jeito.

Se os amamos na alegria e na saúde, muito mais os amamos quando estão indefesos e debilitados.

Amanhã avizinha-se um dia muito semelhante. Só espero que segunda já estejam muito melhor, porque o colinho já não vai ser de mãe o dia todo (mas de avó também será muito bom).

AS

3 anos de amor de mãe

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27 de Outubro é o dia de aniversário da nossa Catarina. Há 3 anos atrás, esta pequena e doce menina fez-nos experimentar a incrível sensação de ser pai e mãe. Confesso que, durante os primeiros meses, andei abananada com tanto sentimento, sem saber definir o que sentia.

A noite passada, quando a Catarina já dormia, encostei-me a ela, senti-lhe o cheiro, fechei os olhos e transportei-me para o recobro no hospital, há 3 anos atrás, como se ainda conseguisse sentir, ver e cheirar o mesmo que naquele dia. E é tão presente o momento que foi só nosso: ela mamava e dormia e eu observava-a, completamente rendida àquele ser tão desconhecido, mas ao mesmo tempo tão meu.

Esta menina veio transformar-me e tornar-me melhor. Mais do que ela precisar de mim, por ser sua mãe, preciso muito mais eu dela, porque me obriga, a cada dia, a ser mais e melhor, a amar mais: a ela, à família, aos outros, a Deus.

Hoje, sei que já não é bebé, mas uma menina. Que bom vê-la crescer e ver todas as descobertas que faz e naquilo que se vai tornando.

Se me apaixonei por ela assim que a vi, hoje a minha paixão tem uma dimensão muito maior. Acredito que a paixão pelos filhos é a única que não desvanesce nem se dissipa, pelo contrário, aumenta a cada dia. Todas as outras paixões acabam por findar, dando lugar a tantos outros sentimentos.

Peço ao Senhor que a proteja e a cumule de bençãos. Que o Bom Deus lhe conceda o Dom da fé e da caridade e faça dela o que for da Sua vontade, pois só assim a minha rica filha alcançará a felicidade.

Parabéns meu amor! Os pais amam-te de coração cheio.

AS

Primeiro dia de escola!

Uma das coisas mais maravilhosas de ser pai ou mãe é a alegria de poder ver os nossos filhos crescer. Ultimamente, tenho olhado muito para a Catarina com esses olhos de mãe babada e admirada por ver a sua cria tão desenvolvida.

Hoje foi o seu primeiro dia na escola, em pré-escolar. A Catarina vai fazer 3 anos no final de Outubro, mas já conseguiu fazer aparecer a sua sombra no mundo, ou pelo menos no nosso mundo.

Os medos de pai e mãe assaltaram-nos o fim de semana todo. Foi sempre nossa opção deixá-la com os avós até aos 2 ou 3 anos. Com o nascimento do mano, achámos por bem mantê-la protegida, debaixo de todo o mimo. E, na nossa opinião, fizemos muito bem, porque, embora haja mimo a mais, também há muito amor, e esse nunca é demais.

Há muitos meses que a preparamos para a escola. Chegado o dia, a Catarina foi o orgulho dos seus pais, e um bocadinho a vergonha da sua mãe. Foi levada pelo pai (era uma tarefa demasiado penosa para a mãe e com grandes probabilidades de choradeira para ambas). Não chorou e ficou lindamente a brincar.

É claro que deixou em algumas alturas do dia a sua marca de mandona e esquisitinha, quer com o almoço, quer com as idas à casa de banho, quer com o lavar das mãos. Enfim, pormenores deliciosos que me deixam entre o orgulho e a vergonha, porque, muito embora lhe ache muita graça, não posso deixar de temer que os outros não lhe achem graça nenhuma.

Ao fim do dia fui buscá-la. Não consigo descrever o seu olhar penetrante e feliz de quando me viu, mas ficará guardado no meu coração e na minha memória. Depois de um abraço apertado, trocámos conversa muito empolgante. Valente filha, que o Senhor te acompanhe em toda a tua vida e permita que venças todos os desafios como venceste o de hoje.

Um obrigada muito especial à Tatiana e à Adélia, por tomarem tão bem conta de parte do meu tesouro e por serem continuação do meu colo e dos meus braços. Peço desculpa pelo nariz empinado e pelo mau feitio da doce Catarina.

Graças Senhor, por me permitires viver estes momentos!

AS

O nosso 11 de Setembro..

Se pesquisarmos no Google sobre a data 11 de Setembro, muitos são os acontecimentos marcantes, e alguns chocantes, que nos aparecem.

Para nós, o 11 de Setembro, ficou marcado pelo dia em que, há um ano, descobrimos a doença do nosso filho e ficámos internados no Hospital de Santa Maria. 

Há um ano, a nossa vida mudou e com ela toda a nossa percepção e entendimento do mundo e da nossa existência.

Nesta mesma noite, há 365 dias atrás, a nossa família foi separada de uma forma abrupta. Vi-me ser afastada, por um período na altura indeterminado, da minha filha, pois tinha de dar assistência ao mais pequeno. Ficámos privados de toda a normalidade que nos faz tão bem e nos estabiliza.

As noites eram duras, frias e tristes. Acho que era o período em que perdia as forças. O pai ficava connosco durante o dia. À noite, ficava com a filha. Durante uma semana não dormi mais do que 3 horas por noite, excepto um dia em que trocámos. Fui buscar a Catarina. Demos um abraço e chorámos as duas de tantas que eram as saudades. Levei-a para casa e dormimos abraçadas a noite toda.

Sabem do que tinha mais saudades? Da nossa rotina, que sendo mais ou menos desorganizada, é só nossa e própria de cada família. Aprendi que a nossa forma de viver por ser só nossa é maravilhosa.

Nos meus ouvidos ecoavam as palavras de S. Paulo:”quando sou fraco então é que sou forte”. E o Senhor fez-nos fortes mesmo. O Bom Deus fez-nos despojar-nos de tudo, para percebermos o caminho que tínhamos de trilhar. Nem a roupa que tínhamos no corpo era importante, nem a água que tinhamos de beber, nem nada que o nosso corpo pedisse. Só estarmos juntos em família e termos a presença de Jesus e de Maria nos importava.

O nosso querido filho tornou-nos uma família muito melhor e muito mais feliz. Foi esta a bênção que Deus nos deu, para juntos sermos mais Dele.

Este ano, a nossa vida está mais estável e serena. Como será possível não ter o coração cheio de agradecimento ao céu por ter permitido que a tormenta passasse? Como será possível não ficar mais feliz recordando o fel que comemos, comparado com o mel que agora saboreamos?

Graças te dou Senhor, por nos teres conduzido ao deserto e nos teres falado ao coração. Graças por este filho que veio dar mais vida fecunda à nossa vida.

Esta semana peço que rezemos todos pelos que estão nos hospitais.

AS

Memórias…

Há uma semana, celebravamos o primeiro aniversário do nosso Pedro. Esta semana, é inevitável recordar que há um ano fomos, pela primeira vez, internados durante 5 dias, no hospital Garcia de Orta.

Ainda nem sonhavamos que o nosso filho poderia ter uma doença. Sem percebermos, estavamos a entrar num caminho sem retorno. O Senhor começava, de forma discretíssima, a preparar o nosso coração para o que aí viria…

AS

O recomeço preguiçoso …

As férias terminaram. Hoje, tudo volta à rotina normal. Não foram, exactamente, como tinha planeado. Talvez tenha criado expectativas demasiado altas, mas, na verdade, com tantas interrupções de trabalho torna-se difícil desligar.

No entanto, o principal acho que conseguimos: estar com os miúdos e aproveitar o tempo todo com eles. Esta manhã, a Catarina começou a chorar quando percebeu que o pai não estava, porque tinha ido trabalhar. Ficou mal habituada com tanto mimo e atenção. No fundo, será isto que os nossos filhos recordarão das férias: grandes doses de amor e atenção.

Gostaria de nesta fase estarmos a regressar à rotina cheios de força, mas como nunca desligámos de verdade, não conseguimos recarregar as baterias necessárias. Contudo, é nossa obrigação dar o nosso melhor e santificar o nosso trabalho. É isso que vamos fazer, com a ajuda de Deus e o Seu Espírito de Fortaleza e de Sabedoria.

Tenho de vos contar das nossas férias, num próximo post. 

Bom recomeço ou boa continuação.

AS