Quase matam a mãe de susto…

Nunca vos falei nisto, porque além de não querer dar importância, nunca foi caso para isso. Aqui a menina sofre de uma grande fobia daqueles bichos demoníacos e horrorosos, de 8 patas. Sim, sim, se há coisa que odeio no mundo são as aranhas. Escrever esta palavra no meu amado e estimado blog, só mesmo por muito respeito e dedicação a todos vocês.

No dia em que os miúdos foram iniciar a semana do pai, deixei-os de manhã na escola. Ao fim do dia, regressei a uma casa vazia, mas cheia de silêncio. Vocês já sabem que, vejo nisso o copo meio cheio.

Dirigi-me a uma ponta da casa e fiz o que tinha a fazer, por aqueles lados. Quando regressei para a outra ponta, tive de passar pelo corredor que tem uma porta. Não acendi a luz, porque estava iluminado por uma claridade muito ténue e diminuta, que vinha de longe. Entretida com os pensamentos e com algo que levava na mão, apanhei um valente susto, quando percebi que havia algo gigantesco na parede, atrás da porta.

Podia ser o bicho maluco, mas é só o Cuquedo!

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Coisas de filho #4

filho, família, dia dos namorados, mãe

Não é difícil fazer uma mãe feliz. Bastam umas palavrinhas mansas dos filhos. Se a isso juntarmos elogios às crias, por parte da escola, então a mãe torna-se aquele ser ilógico, que acredita ter parido os melhores filhos do mundo.

Sexta, quando o fui buscar à escola, tivemos o seguinte diálogo:

Ele (Pedro, 3 anos): “Mãe, hoje eu portei bem na escola.”

Eu: “ficas feliz quando te portas bem, não é filho?”

Ele: “sim, fico muito triste quando me porto mal.”

Eu: “Boa. Eu, hoje, também me portei bem, sabias?”

Ele: “Oh mãe, és uma fofinha.”

Eu, depois de rir: “Oh filho, és um amor.”

Ele: “Oh mãe, és uma amora.”

Deram-me um coração desenhado por ele, por ocasião do dia dos namorados. Quis fazer um coração para entregar à mãe, porque disse que a mãe era a namorada dele. Espero que tenha sido mesmo assim e não, apenas, a equipa da sala a dizê-lo para me agradar. O certo é que fiquei babadíssima.

AS

filho, amor, escola, dia dos namorados

Um abraço por dia…o bem que nos faria!

Dar abraços é um dos gestos mais afectuosos que podemos ter. Envolver o outro e deixarmo-nos ser envolvidos, requer cumplicidade e carinho. Ou seja, permitimos a proximidade do outro e consentimos que o outro nos receba, também.

abraço de amigos
Foi por causa deste abraço que surgiu todo este texto…

Um dia aprendi que, quando alguém nos abraça, não devemos ser os primeiros a largar o outro. Devemos esperar que, quem nos abraça, decida quando quer deixar de ser abraçado. Isto porque, o acto de abraçar é dar-se a alguém, numa franca entrega e recolha de afecto.

Os abraços não são todos iguais. Diferem na pessoa que abraçamos, do momento em que estamos ou da intenção que temos. Porém, sei que dar um abraço é um verdadeiro desbloqueador de coração. O abraço amolece-nos, aquece-nos, conforta-nos, faz-nos sentir queridos e aumenta o volume do coração. Continue reading “Um abraço por dia…o bem que nos faria!”

“Tu escolhes sempre o mano primeiro”

Há umas semanas, ouvi pela primeira vez: “tu escolhes sempre o mano primeiro”. Nunca levei um murro no estômago, mas tenho a certeza que não dói tanto como ouvir isto de um filho. Gelei mais que o meu congelador. Olhei-a nos olhos. Perguntei se achava mesmo aquilo. Quando disse que sim, não retorqui. Não fui capaz. Dei-lhe um beijo de boa noite e deixei-a dormir.

Eu sei que ela é a criança e eu a adulta. Provavelmente, até deveria ter contra-argumentado. A minha tentativa foi de desvalorizar o que tinha dito, por saber que havia ali um pingo de chantagem, por eu não estar a ceder ao que queria. Não sei se fiz bem ou se fiz mal. Não voltou a repetir.

Reflecti sobre o motivo que me levou a ficar tão sentida com aquela frase. Sei bem que tem a ver com o facto de ter feito das tripas coração, para que esta miúda sofresse o mínimo possível, com um divórcio estúpido e mal explicado. Já o irmão, com 1 ano e uns meses, era tão pequeno que quase não deu conta. Porém, ela, com 3 anos e mais umas confusões de figuras e lugares, deu sinais ferozes e dolorosos de não estar a aceitar bem aquilo. Continue reading ““Tu escolhes sempre o mano primeiro””

Ajuda dos filhos é bem-vinda…

A minha Catarina está tão crescida que, por vezes, sinto-me espantada quando a olho, porque já não encontro aquele bebé, pequeno e indefeso, que outrora eu embalava enquanto ela mamava. A forma como conversamos, a curiosidade que tem sobre tudo (ai de mim, se não explicar bem) e a vontade de querer ajudar revelam que já não é aquele bebé que eu tive nos meus braços, mas uma filha menina em franco crescimento e evolução.

Confesso-vos que esta é a parte que mais adoro no crescimento dos meus filhos: vê-los ganhar autonomia e pensamento próprio. Uma parte de mim diz para si: “estás a fazer o que te compete, porque os teus filhos são do mundo e para o mundo”.

Por vezes, a Catarina comenta o facto de eu subir, sempre, a escada carregada de sacos e mochilas, compadecida de mim. Já por dois dias, pediu para ajudar e eu deixei, insistindo para levar os sacos todos. Às tantas, já o mais novo queria ajudar também. O certo, é que foi muito mais fácil, para mim, aquela subida. Continue reading “Ajuda dos filhos é bem-vinda…”

O amor de irmãos lá por casa!

Há uns dias, estava na cozinha comigo, a ajudar-me na preparação de algumas coisas, enquanto o irmão brincava na sala com a televisão ligada. Dei conta da sua ausência, que, juntando ao silêncio de fundo que soava por toda a casa, me deixou pronta para um monte de asneiras infantis.

Espreitei para ver o que se passava e encontrei um cenário tão ternurento e amável que me deixou maravilhada. O Pedro estava sentado a ver os desenhos. A Catarina sentou-se ao lado do irmão e pôs-lhe o braço por cima, a envolvê-lo. Já não é a primeira vez que a vejo ser assim para o irmão, mas foi a primeira que consegui registar em fotografia.

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Calduços de amigos… quem os não tem?

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Um amigo escreveu umas palavras para alguém, por quem tinha amizade e que partiu, sobre a gratidão e a falta que farão os seus habituais calduços que o desmontavam.

Só sente falta de calduços, quem percebe que alguma “pancada” ajuda a crescer. Só agradece ter levado muitos calduços, quem reconhece que um amigo não é só para dizer o que queremos ouvir.

Há uns dias que ando a patinhar na desmotivação. Partilhei com um amigo que não tinha vontade para… Levei um valente calduço para ganhar a vontade necessária. Chorei com outro amigo, porque fiquei sem soluções… Deu-me um calduço para perceber que tudo se resolve, que para tudo há solução, porque não estou sozinha. Desabafei a um terceiro amigo que não sabia como, nem por onde… Levei uns quantos calduços para acordar para o caminho que tem de ser percorrido. Continue reading “Calduços de amigos… quem os não tem?”

A loucura das viagens no carro

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Têm mesmo ar do que são não têm??? TERRÍVEIS!

A cena que se segue, conta apenas mais um dia, igual a tantos outros dias, na minha vida e na vida de todas as famílias.

Final do dia. Cabeça a estoirar de sono; corpo cansado de uma pseudo-constipação; desânimo no lombo; vontade de deitar na cama e dormir 48h. Sigo para a escola dos miúdos. Tenho perfeita consciência que quero sossego e isso é, exactamente, o que não vou ter.

Abraço um de cada vez. Aperto o cinto a um, depois ao outro. Respiro fundo e entro no carro, na certeza que começa mais uma voltinha no carrossel. Iniciam devagar, como quem ameaça ser anjinho. Um deles solta: “Mãe??? Sabes que hoje a Leonor não me deixou fazer de Bela e tive de ser a Maria?”. Sem me deixar responder, continua a contar um chorrilho de acontecimentos trágicos entre ajamigas. Só tenho tempo para responder um entusiástico korrorrrrr, quando somos interrompidas pelo outro que também tem 1001 histórias para contar. Continue reading “A loucura das viagens no carro”

Os filhos, os pais e as birras…

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Uma destas noites, a Catarina fez uma enorme birra, daquelas que os miúdos costumam fazer por não quererem tomar banho. Esteve quase a fazer-me saltar a tampa. Juro que, por vezes, acho que faz de propósito (já devo ter dito isto por aqui um milhão de vezes).

Consegui concretizar a tarefa sem me exceder e deixei-a entregue à sua birra, na casa de banho. Esperei que libertasse tudo o que havia para libertar. Fui para a outra ponta da casa, na tentativa de me afastar, o mais possível, do foco de ebulição, para benefício das duas.

Liguei ao meu pai, porque tinha uns recados para lhe dar. Aproveitei para lançar nos seus ombros os meus nervos, provocados pela sua querida neta. Compadecido, tentou acalmar-me. Disse-lhe, em desabafo, que só me apetecia bater-lhe. Sorriu com empatia e respondeu-me: “olha, era, exactamente, isso que nos apetecia fazer quando tu eras da idade dela”.

Senti aquela frase cair em cima da minha cabeça e descer lentamente por todo o corpo, passando por todas as estações e apeadeiros. Isto gerou uma série de pensamentos na minha cabeça:

  1. QUE RAIO??? Está aqui uma pessoa à espera de consolo e leva uma bordoada destas, pá?
  2. Tu queres ver que a miúda agora é uma santa e eu é que estou a ver tudo mal, não?
  3. Quando era miúda não me portava assim, de certeza. Não me lembro nada de causar tantos nervos.
  4. Se eu também provocava esta ira toda aos meus pais e hoje estamos aqui como estamos, é capaz de haver solução para a pirralha.
  5. Coitados dos meus pais. O que eles tiveram de aguentar…
  6. Hoje, sou eu, amanhã, são eles!

Os miúdos são muito parecidos na técnica de tirar os pais do sério. Os pais são muito parecidos em perder o norte e as estribeiras, umas vezes com mais controlo, outras com menos.

Na verdade, aquelas palavras do meu pai não foram uma espada, mas um alento. Senti que me quis transmitir que todos os pais sentem, em algum momento, frustração e raiva, numa mistura de impotência, para com os filhos. Porém, esses momentos também passam e resolvem-se.

É importante que alguém nos lembre que não somos os únicos a viver as coisas. No passado, no presente e no futuro, há quem já tenha vivido, viva ou vá viver estes sentimentos na pele, porque somos todos feitos da mesma essência e da mesma matéria. Ontem fomos os filhos, hoje somos os pais e amanhã sê-lo-ão os nossos filhos, com tudo o que isso acarreta.

AS

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