Parar, respirar e contemplar…

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Mais um fim de semana de acampamento. Estou cada vez mais adaptada ao despojamento necessário para esse registo. O bom é conseguir passar isso para a vida de todos os dias. Simplificar. Descomplicar. Ser pragmática. Tem-se revelado um exercício bastante interessante, com descobertas incríveis.

No fim de um dia lindo de praia, tudo a postos para fazer o jantar, em modo campista. Arroz ao lume; ovos mexidos com o frango desfiado, prontos para entrar na frigideira; salada a ser preparada. De repente, há um que olha para o fundo e faz notar o maravilhoso pôr do sol, ali à distância de 3 minutos.

Olhamos uns para os outros. Alguém diz: “Bora”. Outro alguém pergunta, provavelmente eu, se não tem mal deixar tudo assim, a meio e ao ar. Ouço o desafio: “é um grande post para o teu blog”. Cedo, de imediato, ao desafio. Há todo um texto que me começa a surgir. Saímos a passo apressado, porque não podemos perder esta oportunidade.

img-20180812-wa0014359646526.jpgChegamos ao topo da arriba, à beira do precipício. Paramos e contemplamos a magnífica paisagem que o Criador, tão gentilmente, nos dá. Dá-nos, de forma generosa, a cada dia, mas quase não damos conta que o sol nasce e põe-se, como um compasso lento, repetido e fiel. Agradecemos a Deus em voz alta, por tamanha generosidade e beleza. Só alguém muito bom e poderoso conseguiria criar algo tão perfeito.

Diz a Teresa: “se ficarmos a olhá-lo, conseguimos vê-lo descer”. Conseguimos mesmo! Ficámos ali até desaparecer. Quase o conseguimos tocar de tão fixados que estávamos nele. As memórias são criadas através dos sentidos. O cheiro a mar; o quente dos raios; o brilho ofuscante a entrar pelos olhos; o som das ondas… Ficámos, por momentos vazios de tudo, mas tão cheios.

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Fechou-se o pano. Retomámos o cozinhado. Se já estava a valer a pena, agora tínhamos aumentado a fasquia para um nível demasiado alto. Não parei de pensar no benefício de ter deixado tudo para ir. Não ceder à obrigação do que parece mais acertado e correr atrás do que é belo. Esta liberdade do que nos prende é regeneradora e faz-nos crescer muito. Somos muito mais que regras e afazeres.

Parar, respirar e contemplar é urgente.

AS

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Sou eu assim sem vocês…

Na altura das férias, ficamos a semana inteira com os miúdos, sem o dia de interrupção que é costume durante o resto do ano. É impressionante como esse dia faz imensa diferença. Quando estão comigo, parece que a semana rende infinitamente e passamos muito mais tempo juntos. Quando estão com o pai, parece que não nos vemos há uma imensidão de tempo e a semana demora o triplo a passar.

Neste período, quando os entrego ao pai, faço uma lista mental de todas as vantagens que existem por ter uma semana sozinha. É uma defesa e necessidade para combater a dor de os saber longe e as saudades.

Sabê-los felizes é um bom analgésico. Contudo, apenas abranda a dor, mas não a cura. A música da Adriana Calcanhoto que vos deixo neste post, tem muito a ver com isto. Esta mãe sem os seus filhos é, sempre, uma mulher incompleta. Quando a ouço penso: “isto sou eu sem os meus filhos”.

Felizmente, aprende-se a viver dando valor e importância ao bom que a vida nos dá. O Bom Deus vai confortando-me com coisas tão boas, nas ausências dos meus filhos, que não posso fazer mais do que agradecer.

AS

Uma história que fica das férias…

Diz o ditado que “não há bela sem senão”. Apesar das nossas férias terem sido óptimas, houve um momento que de óptimo não teve nada. Na nossa última noite, o Pedro caiu da cama, bateu na mesa de cabeceira e abriu um pouco o queixo. Nada de extraordinário, mas o golpe era fundo.

Nós esquecemos, mas Deus prepara tudo para que sejamos capazes. Tudo isto podia ter acontecido quando estava sozinha com os meninos, mas não. Valeu-me a ida não planeada dos avós e a visita tão desejada dos padrinhos. Num ápice, tinha todos à minha beira para cuidarem de nós. Claro que, se estivesse sozinha com eles teria de resolver na mesma, mas, assim, foi muito mais fácil.

Fomos práticos e tranquilos. Após a busca, sem efeito, por uma farmácia ou centro de saúde perto, decidimos recorrer ao hospital mais próximo: Portalegre. 40 km depois e estávamos a ser muito bem atendidos, com o meu Pê a levar dois pontinhos. Chorou um pouco, não de dor, mas de incómodo. Porém, portou-se como um valente. Este menino está mesmo adaptado a estes contratempos de hospitais.

Nos 40 km de regresso, o Pedro dormia (como dormiu depois da queda e no caminho para o hospital, como se nada tivesse acontecido), e o meu coração pacificou. Enquanto não os vemos bem, não conseguimos paz.

Aproveitámos a viagem para reflectir sobre como estamos tão mal habituados em ter tudo a uns minutos de distância. Quando vamos para onde Judas perdeu as botas, ficamos assustados com os quilómetros de afastamento de tudo. Nas grandes cidades, basta esticarmos o braço e compramos tudo, temos sempre uma farmácia aberta, o hospital à mão e tudo mais. Num sítio daqueles, o isolamento é rei, impera a paz e a tranquilidade que precisamos para restabelecer energias. Contudo, quando surge a necessidade sentimos a diferença.

É tudo uma questão de adaptação à realidade em que nos encontramos, o que nos permite perceber a nossa elasticidade e capacidade de resolução. É mesmo bom perceber que nos safamos. O Pedro está óptimo e lindo, como podem ver na fotografia. Ficamos com uma história para contar e uma pequena cicatriz que seduzirá muitas meninas.

AS

Estamos de volta…

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Já estamos de regresso. Com muita pena, deixámos para trás uma semana feliz, muito feliz e cheia. Cheia de mimos, atenção e experiências boas. Partilhámos tudo, até a cama. Pediram para não virmos embora. Queriam mais tempo aquela casa, a piscina e as férias. Juro que eu também não queria voltar.

Observei-os muito. O Pedro está um menino cheio de energia, que só quer brincar e explorar tudo. A Catarina está uma menina, por um lado aventureira e afoita, por outro muito observadora e misteriosa no que lhe vai na cabeça.

A cada dia, tenho de os redescobrir, porque, conforme vão crescendo, estão em constante mutação e evolução. É uma adaptação contínua (no nosso caso semanal), mas que me preenche o coração. Um desafio de amor.

Não me lembro da última vez que consegui estar de férias e ter a cabeça vazia de tudo o resto. Desta vez consegui. Fui deles e eles foram meus. Fui do descanso e a boa vida foi minha. Que bom que foi. Que bom!

AS

 

Notícias nossas…

Estamos felizes e descansados. Livres de roupa e complicações. Nada como os ver a aproveitar os dias quentes de verão. As férias são muito mais que simples dias de descanso. São dias em que desfrutamos uns dos outros sem stress ou preocupações. Dias em que sujar e experimentar são mantras.

Vamos continuar nesta canseira, se não se importarem, ok?

AS

Vamos de férias…

Vamos de férias, só os três. Há vários desafios envolvidos nesta aventura de ir sozinha com duas crianças tão pequenas. Um dos maiores é a alimentação do Pedro. Para o sítio onde vamos não há leite de aveia, nem Novalac Rice, nem iogurtes de soja, nem bolachas próprias para um menino com Galactosémia Clássica. Esta é a parte mais complicada desta doença.

O segredo será descomplicar em tudo, para conseguir beneficiar do tempo que teremos juntos. Simplificar na tralha, na roupa, nos medos e preocupações. Terei de ir carregada com comida para o pequeno, mas irei leve de tudo o resto.

Acho que vai ser tão bom. Só teremos os 4 canais (ou três). Vou desligar os dados e ligá-los quando e se houver textos para partilhar convosco. Vai ser uma semana entre dormir, comer, piscina, brincar, ler. Uma canseira de dolce far niente. Estou entusiasmada com tudo o que estamos prestes a viver, os três.

Boas férias para nós e para os que têm hipótese disso.

AS

Um brinde a nós!

IMG-20180408-WA0001Convosco aprendi a trabalhar com exigência, com dedicação. Aprendi que não se deixa para amanhã o que tem de ser feito hoje. Que trabalhar na e com a verdade, muitas vezes dói, mas não há outra forma, mesmo que não sejamos recompensados por isso. Convosco aprendi que se pode aprender muito com os outros e que ser pelo bem, pode não trazer vantagens, mas faz-nos dormir de consciência tranquila.

Admiro-vos por nunca baixarem os braços, pelo sorriso na cara, pela seriedade e brio profissional. Por quererem, sempre, fazer mais e melhor, sem nunca desistir, mesmo que dê muito trabalho. O topo dos topos, trabalhou comigo e ensinou-me tanto.

Não vai haver mais esta combinação. A vida tem destas coisas. Ficamos à mercê do que querem fazer de nós. Deixamos que assim seja, porque não temos outro remédio. Éramos quase perfeitas juntas. Se nos deixassem, iríamos bem longe. Ficamos por aqui, à espera de novas oportunidades.

Porém, na nossa vida, ninguém nos pode separar. O que se criou e foi crescendo ganhou proporções incontroláveis. As marcas da amizade serão eternas nos nossos corações, porque o que vivemos, chorámos, rimos e partilhámos, só nós sabemos. Fica gravado na nossa memória.

Somos, cada vez, mais livres. Esta amizade genuína é o resultado de muito sacrifício e dedicação. Uma junção que só pode ter sido feita por Deus.

Obrigada, muito obrigada por um tudo que não cabe em palavras!

AS

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